Viver Sem Petróleo

Viver Sem Petróleo

Portugal, o ano de 2040. Depois de uma breve chuveiro com água quente, graças à energia dos painéis solares, o senhor Garcia decide ficar em casa e dedicou a manhã para trabalhar. Há anos que deixou de ir para o escritório, para evitar o deslocamento. À tarde, pega a bicicleta e vai fazer uns recados.

Compra umas peças confeccionadas com fibras naturais, umas pilhas recarregáveis e um sacos de reciclagem. Ao voltar, pegue um bonde elétrico que passa bem no centro, interditado para carros. Ao chegar em casa, tomar um lanche na praça de jardim de sua propriedade com o resto dos vizinhos, com quem compartilha o uso dos espaços e das instalações.

Cenará tomates da horta urbano localizado a poucos quilômetros da cidade. Enquanto uns poucos veículos elétricos circulam pela sua urbanização na periferia, o senhor Garcia e o deitará na cama sonhando com fazer o único viagem anual de avião que leva meses planejando.É este o futuro que nos espera?

É indubitável que o petróleo faz parte de nossas vidas e imaginar um mundo sem o ouro negro é um exercício cheio de incógnitas. Não sabemos se todos acabaremos vivendo como o senhor Garcia. Mas, no futuro, não parece haver alternativa: o petróleo barato está destinado a acabar, o que nos obrigará a repensar hábitos, consumos, costumes e estilos de vida. Para compreender a dinâmica dos acontecimentos, talvez seja melhor começar desde o início.

Dizem os geólogos que o petróleo é um tesouro. “É uma autêntica jóia geológica, muito mais valiosa do que todos os diamantes do mundo. Hoje é uma fonte de energia sem igual: é a mais energética, a mais competitiva e a mais versátil, seu estado líquido lhe confere vantagens significativas para transportá-lo e armazená-lo. E se tivermos em conta o seu preço, cerca de 0,6 euros o litro, é relativamente barato”, explica o professor de Recursos Energéticos da Universidade de Barcelona Mariano Março, um dos maiores especialistas em Portugal neste tópico.

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Março, que nas prateleiras de seu escritório custódia duas garrafinhas com o precioso líquido preto, lembra que “somos o que somos graças ao petróleo”. 95% do transporte terrestre, aéreo e marítimo depende desse hidrocarboneto. Por não falar da produção de alimentos, que tem como combustível para acionar maquinaria agrícola e fabricar fertilizantes, herbicidas e pesticidas. Além disso, o petróleo fornece produtos de aquecimento e constitui a matéria-prima para a fabricação de mais de 300.000 artigos, dos quais cerca de 3.000 que são de uso cotidiano, como os plásticos, componente de medicamentos, a roupa ou o cimento. A primeira imagem que nos vem à cabeça quando pensamos em o petróleo é uma bomba de combustível.

com efeito, em sua maioria, é destinada a 90% do tambor como combustível para o transporte. É dizer, que o queima, ou dependendo de como se olhe, o dilapidamos. Março usa esta metáfora: “é como se para aquecer uma lareira tirásemos às chamas quadros de Picasso”. Ao que havia abundância, bem.

Mas esta prosperidade não durará eternamente. Há um ditado que diz que tendem a repetir os sauditas, cujo país possui as maiores reservas do mundo: “meu pai montava um camelo. Eu cuido de um automóvel. Meu filho voa em um jato particular… e o seu filho vai montar um camelo”. Sem chegar a esses extremos, face ao futuro caberá a repensar o uso do petróleo como combustível, para destiná-lo em sua maioria, a indústria petroquímica, que nos fornece bens essenciais, que muitos de nós desconhecemos.

Tal como está montado o nosso sistema produtivo, há setores e atividades em que o petróleo é praticamente insubstituível. Existe uma corrente de pensamento que defende uma aposta radical e provocadora: simplesmente, diante da escassez dos recursos energéticos, há que crescer menos. Foram editados vários livros sobre o tema. José Silva, professor de Sociologia Ambiental da Universidade de Barcelona, autor do livro Viver bem com menos) (ed. “o decrescimento, socialmente, seria uma solução difícil e impopular, a menos que a realidade se imponha”. Em todo caso, -acrescenta -, há que prever um cenário em que viveremos com menos energia.

Joana

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