O Medo Da Morte Tem Explicação Biológica

O Medo Da Morte Tem Explicação Biológica

A morte faz parte de todos os sistemas vivos, mas o Medo, sofrimento, negação… Todos estes comportamentos que temos diante da morte têm uma explicação científica, uma explicação que se encontra em nosso cérebro. A conversa está a cargo da bióloga e jornalista Beatriz Barco, e começa e termina na capela do Cementiri de Poblenou. O espaço é, quanto menos chocante: ciência e tecnologia se dão a mão com a tradição nesta capela histórica presidida por uma estátua semelhante A Piedade de michelangelo. Sem dúvida, um quadro ideal para falar do tema.

Um grupo de vinte pessoas, ouve atento a Beatriz, que começa a explicar a evolução: como o ser humano chegou à complexidade que o constitui, hoje em dia, graças a anos e anos de progresso. Uma revisão rápida das etapas do cérebro faz entender os clientes que “nós somos o animal mais complexo que existe, seguido de alguns primatas avançados, cetáceos e elefantes”, como diz o guia.

E é que o cérebro humano é o único com capacidade de abstração, capaz de assimilar que há um passado, um presente e, acima de tudo, um futuro incerto. Mas, por que sofremos diante da perda de alguém? Basicamente, porque é irreparável. Beatriz explica com entusiasmo o caso da gorila Koko, uma espécie de cérebro avançado que fala a linguagem dos sinais e entende mais de 2000 palavras em inglês.

Koko é um exemplo de que alguns animais, como os primatas também têm a capacidade de assimilar a morte e até mesmo de sofrer, diante dela: leão-de-chácara define morrer como “buraco confortável”, “dormir” e “adeus”. Mas quando a Koko lhe morreu o seu gatinho All Ball sofreu durante meses, definindo a perda aos seus prestadores de cuidados de saúde com estas palavras: “mau”, “triste”, “chorar”.

Ainda assim, nem mesmo o cérebro desenvolvido de Koko pode se perguntar o que há além da morte. Segundo os pesquisadores, só os homens, nós podemos. Se deve à complexidade do cérebro do ser humano, que é uma arma de dois gumes: existem mecanismos neurológicos que nos obrigam a acreditar que há algo após a morte.

Beatriz avisa que o nosso cérebro, que é narrativo, tende inevitavelmente a inventar histórias que justificam nossos comportamentos, ou que respondam aquilo que não sabemos. Isso explicaria a nossa crença no “Além”: inventamos uma história agradável perante o desconhecido, porque nos faz sentir melhor com nós mesmos. Beatriz explica que, de igual forma, muitas atividades do nosso cérebro também dão explicação para fenômenos como, por exemplo, as experiências místicas ou próximas da morte. A estimulação dos lobos parietal e temporal são os responsáveis de que alucinemos ou as viagens astrais, e até que possamos ouvir uma voz externa, a qual podemos identificar (se somos crentes) com a voz de Deus.

“São muitos os transtornos relacionados com a percepção pessoal (somatrofenia, autoscopia, sensação de presença, etc.) que têm sua raiz nos processos cerebrais: isso prova que o poderoso cérebro do ser humano é algo complejísimo que ainda desconhecemos”, observa a bióloga. A conversa se ameniza percorrendo os principais pontos que fizeram a história do Cementiri de Poblenou. Curiosidades, lendas e belas esculturas enquadram-se na história da cidade. A primeira parada é no sepulcro de “O Santet”, um jovem que morreu na tenra idade de 22 anos e o que a tradição popular atribui milagres.

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Uma pausa no monumento mortuorio a Josefa Garcia Cubera, presidido por uma espetacular escultura que reflete uma mudança social, dá pé para explicar quando se começou a ver a morte de um ponto científico. E, por último, o guia leva os visitantes até ao primeiro monumento da Europa esculpido em homenagem aos médicos que perderam a vida tentando salvar outras da febre amarela. Lá, sob a cruz que domina a principal avenida do camposanto, fala-se da morte vista atualmente, do tabu que parece existir em torno dele, a tristeza, a negação e o medo que produz.

Tudo se vê nos exemplos cotidianos: quando deixamos a morte nas mãos do médico, quando ministramos ao final com um cristal no meio, quando tentamos tapar o processo de luto dizendo um simples “não se preocupe, a vida continua”. Isto dá lugar à participação do público e abre um improvisado debate a favor e contra do testamento vital. A visita se encerra de novo na capela. Um aplauso espontâneo se inicia entre os participantes. Foi uma intensa conversa de duas horas e meia.

Joana

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