As Guerras Da Era Da Desinformação

As Guerras Da Era Da Desinformação

À medida que avançou a digitalização de nossas sociedades, a luta de poder entre os estados foi transferido para o ciberespaço como novo teatro de operações. A propaganda e a desinformação -implícita em qualquer pugna-, têm inundado a Internet e as redes sociais. Nos últimos anos, a Rússia tem sido acusada de interferir em diferentes processos democráticos. O destaque foram as eleições presidenciais americanas de 2016. Também a Rússia aparece por trás de ataques cibernéticos a infra-estruturas básicas, como o NotPetya. Todas essas ações da Rússia apontam que na última década e meia se foi formando o que alguns especialistas chamam de a Nova Guerra Fria.

] que representa o choque de interesses geopolíticos, mas também de modelos políticos e ideológicos”, explica Jesus Manuel Pérez Triana, analista de segurança e defesa, e autor do livro Guerras pós-modernas. O Kremlin, segundo Triana, rejeita o modelo ocidental de democracia liberal, a favor de um modelo político nacionalista e populista. Esta Nova Guerra Fria, que se difere da anterior em que vivemos em um mundo globalizado. Assim, os meios de comunicação e da Internet, ou seja, a construção narrativa do conflito, tornam-se um elemento fundamental.

  • DIFICULDADES PRÁTICAS PARA ENSINAR AOS ALUNOS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM
  • Uso em adolescentes e crianças[11][12]
  • Um teste de velocidade, que mede os tempos de carregamento das suas páginas.
  • 17:49 h. O Valenciennes consegue a cessão de Robail, do PSG
  • As duas pessoas mais próximas da Portela CPF… São “irmãs” de Bertomeu
  • Serviços e assistência: Fórum oficial de suporte em português

a Rússia se deu conta de fazer isso, na guerra da Geórgia de 2008, quando os russos ganharam graças à superioridade numérica, mas não qualitativa. De acordo com Nicolau de Pedro, pesquisador do GUARANÍ e responsável do programa sobre a Rússia e Eurásia, o Kremlin chegou à conclusão de que havia perdido a batalha informativa. Assim, decidiu renomear o seu canal de comunicação para o exterior da Rússia Today a RT – e levantá-la, já não apenas como um meio para se dar a conhecer, mas como uma ferramenta para gerar tensão no Ocidente. Moscou saiu na mídia para identificar as vulnerabilidades das democracias ocidentais e multiplicarlas através dos meios de comunicação e as redes sociais.

“Quanto mais enfraquecê-la para o Ocidente, mais disposta estarão a UE e a OTAN, para aceitar os termos propostos pelo Kremlin na mesa de negociação”, conclui Pedro. Um exemplo disso é a linha editorial da RT. A versão em português está mais posicionado à esquerda, com uma mensagem antiamericano e anticapitalista. Em contrapartida, RT em alemão toma a mensagem da extrema direita xenófoba e antiinmigración.

“A mensagem para fora é um questionamento constante”, aponta o pesquisador do GUARANÍ. “É tentar apontar a hipocrisia e o dobro moderada ocidental”, acrescenta, J. M. A partir de 2011, as primaveras árabes revelam a capacidade de mobilização política das plataformas digitais de Twitter e Facebook. No final desse mesmo ano, começaram uma série de manifestações em Moscovo. A figura de Alexander Navalny, o maior opositor de vladimir Putin, assume relevância por seus vídeos na Internet criticando a corrupção do Kremlin. A isso se acrescenta o EuroMaidan Ucraniano em 2013, uma onda de protestos no país, que obrigam a uma maior integração europeia.

“O Kremlin entra em uma espécie de paranóia, interpretando que o Twitter é controlada pela CIA e convencidos de que há uma estratégia do Ocidente e os estados UNIDOS para derrubar o poder do Kremlin”, interpreta Nicolau de Pedro. “Tudo o vêem como parte de uma grande malha. Eles pensam que estão sendo reagentes”, conclui. Esta perspectiva está expressa em um discurso de 2013 Valery Gerasimov, o Chefe das Forças Armadas russas, onde expõe que a Rússia deve preparar-se para combater uma nova guerra híbrida.

a Sua primeira grande intervenção são as eleições norte-americanas de 2016. Twitter identificou 3.814 contas relacionadas com a IRA e Facebook anunciou que haviam sido destinados 100.000 dólares para comprar 3.000 anúncios de contas falsas provenientes da Rússia. Por isso e outras provas, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusaram a 13 cidadãos russos por resultar em ações políticas e violar as leis nacionais, depois de uma longa pesquisa realizada pelo fiscal Robert Mueller.

Rússia aproveita o espaço aberto da Internet, o que de certa forma democratizaba a informação e o contamina com informações falsas para criar ruído e confusão. À parte as eleições norte-americanas, a Rússia tem sido acusada de ingerência em outros processos democráticos polêmicos como o Brexit ou o referendo catalão. “O objetivo é fechar a democratização do discurso em redes”, comenta Salvador Percastre, pesquisador do Grupo em Comunicação, Mídia e Democracia (Polcom) da Universidade Pompeu Fabra (UPF). Para Nicolau de Pedro, “a estratégia é transformar elementos que pensamos que eram fortalezas do sistema democrático em vulnerabilidades estratégicas”.

“A mentira tem algo muito bom: encontra-se algo que fica”, aponta Carles Pont, coordenador do Grupo de Pesquisa Polcom. “Mesmo depois quiser combater o rumor, dificilmente chegará a todas as pessoas que o ouviram”, acrescenta. Rússia aplicou esta mesma teoria na queda do avião da Malaysia Airlines, na guerra da Ucrânia. Quando a Rússia se deu conta que não era um avião militar, mas civil, tirou uma bateria de teorias falsas para esconder a verdade do fato.

Joana

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