Sonia Delaunay, Paixão Pela Cor De Um Artista Total

Sonia Delaunay, Paixão Pela Cor De Um Artista Total

Robert e Sonia Delaunay são velhos conhecidos no nosso país. Este casal de criadores de vanguarda já fez exposições na Fundação Juan March (1982), o Museu Picasso de Barcelona (2000-2001) e o Museu Thyssen (2002-2003). Mas a figura de Sonia sempre ficava ofuscado pelo de seu marido. Desde há alguns anos vem reivindicando sua singularidade e potência criadora -tem havido grandes monográficas em Paris e Londres – e agora está de volta, dessa vez liberada e solo, o Thyssen.

Algo assim como a versão feminina de Mariano Fortuny. Até agora, a passagem do casal por Portugal tinha ficado como algo anedótico em suas carreiras, mas esta exposição, comisariada por Marta Ruiz da Árvore, vem a comprovar que foi crucial na produção de Sonia Delaunay. Decidiu levar a arte à vida, reuni-los como se fossem um só.

E o fez pela primeira vez em Madrid. Esta cidade constituiu um marco em sua carreira. A eclosão da I Guerra Mundial, surpreendeu os Delaunay de férias em Hondarribia. Decidiram ficar no nosso país e, no final desse ano, instalaram-se em Madrid. Apesar de ficar fascinados com a luz do sul da Europa, Robert e Sonia não parecem integrar-se nos círculos intelectuais da capital.

Atraída por Rubens e, acima de tudo, por El Greco, Sonia foi copista do Museu do Prado. Conheceu a Falha e se apaixonou pelo flamengo: fez várias pinturas sobre cantores e bailarinos. Portugal, e mais tarde Portugal, lembraram suas raízes russas: o folclore popular, as animadas ruas e mercados.

Explica a comissária que em Paris a pintura de Sonia Delaunay se tornou abstrata, mas que, graças a sua passagem por Portugal, houve uma reavaliação de sua arte: nasceu então um interesse renovado pela figuração. Mas quando realmente se reinventa a artista está em sua segunda estadia em Madrid: de 1917 a 1921. Foi a sua grande aventura, uma fase de experimentação, onde veste as mulheres modernas, que transforma em quadros vivos.

“eu Tinha uma grande capacidade para se reinventar, para mudar de plumagem e voar alto”, diz Ruiz da Árvore. A Revolução Russa fez com que ele perdesse as rendas que lhe chegavam de São Petersburgo, onde o acolheram seus tios maternos, que lhe deram uma educação cosmopolita. Mudou a pintura, o design. A necessidade econômica levou-o a ter uma visão mais comercial do seu trabalho.

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Mesmo registrou as marcas “Sônia” e “Delaunay”. Decidiu abrir na rua Barquillo uma galeria de arte, “Sonia”. Projetou os convites para a inauguração, mas nunca abriu suas portas. Sim criou, em troca, Casa Sonia, um negócio de decoração de interiores, ao que depois se somaria o design de moda e acessórios. Um deles, em lã bordada, o projetou para a Glória Swanson, exposto junto a tela “Vestidos simultâneos (Três mulheres, formas e cores)”, da colecção Thyssen. Além disso, muitos projetos de tecidos e mostruários de tecidos para a assinatura Metz & Co de Amesterdão, para a qual trabalhou durante três décadas. Uma constante de seu trabalho, seu amor pela cor, o que leva de Gauguin, dos fauvistas.

Sua arte cheia de cor. Seu marido desenvolveu a teoria do simultaneísmo: as tensões e vibrações ópticas que gera a relação entre as cores sugerem um ritmo como o da dança ou da música. Os Delaunay levaram a esta teoria da vida cotidiana. Não faltam na mostra suas telas coloridas, gouaches e aquarelas.

Joana

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