Guadamecíes, O Luxo De Um Mosaico Sobre O Couro Nas Casas De Córdoba

Guadamecíes, O Luxo De Um Mosaico Sobre O Couro Nas Casas De Córdoba

De longe parecem azulejos ou mosaicos, com um minucioso projeto geométrico, muitas cores e o emprego do brilho de metais como o ouro e a prata que lhe dão um aspecto de grande beleza. Só quando o observador se aproxima e pergunta com curiosidade pode-se saber que, na realidade, o guadamecí é uma obra feita em couro e segundo uma técnica que cumpriu mais de um milênio e continua fascinando.

Em Córdoba teve grande esplendor e continua a cultivar junto com seu irmão, mais austero, mas também tradicional, o cordobán. Como explica Meryan, um dos locais emblemáticos na realização desta artesanato em Córdoba, a origem dos guadamecíes está na chegada dos muçulmanos à Península ibérica, no século VIII.

Por eles chegou o curtimento de peles, como o trabalho artesanal e o trabalho artístico com o que era de lá. Tradicionalmente diz-se que veio de Gadamés, uma cidade localizada na atual Líbia, que já exportava couros, desde a Idade Média. Seu próprio nome, guadamecí, já denota a origem árabe, já vem de “wad’almasir”, que significa “couro trabalhado e decorado”. Sua finalidade sempre foi estética e decorativa, para revestir paredes internas e aplicadas em muitos objetos domésticos.

Como apontam desde o estabelecimento da calleja das Flores, com guadamecíes se tapizaban cadeiras, biombos, almofadas, cobertores de cama, tapetes, depósitos e um cofre-forte. Qualquer objeto que você gostaria de embelezar, e com riqueza. Para o guadamecí se empregava pele de carneiro ou ovelha já curtida, que necessariamente tem que ser perfeita.

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Sobre ela, já pronta, coloca-se uma fina lâmina de prata. Ali se pinta pacientemente e se policroma até obter a forma e as cores que se deseja. Foi uma arte em evolução, que após a conquista cristã continuaram cultivando os descendentes de árabes, ou seja, os mouriscos e os mudéjares, e continuou apreciando para revestir paredes, tapetes, biombos e joalheiros.

Todos os estilos artísticos usaram desde então e teve grande esplendor, entre os séculos XVI e XVIII, quando era “um sinal de riqueza”. Em seguida, teve um declínio na época da industrialização, quando foram substituídos os revestimentos de couro policromado com os têxteis, que tinham mais variedade e eram menos cotosos. Mesmo no Japão, tornaram-se alguns de papel que os imitavam. Para Meryan, podem ser até mesmo o antecedente do papel de parede.

Com tudo, em Córdoba se recuperou o guadamecí e o trabalho em couro. Meryan nasceu do impulso do pintor Ángel López Operário e sua esposa, Mercedes Miarons, em 1958, como um lugar para a produção e venda de trabalhos em couro, que se mantém e continua divulgando estes trabalhos. O cultivou também Ramón García Moreno, que tem uma casa-museu aberto, com sua rica obra.

Joana

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