“Todo Mundo Tem Fantasias

“Todo Mundo Tem Fantasias

O VÍCIO do SEXO É UMA DAS DEPENDÊNCIAS MENOS CONFESADAS E VISÍVEIS DE TODAS AS QUE EXISTEM. NÃO OBSTANTE, FOI AUMENTADO O NÚMERO DE PACIENTES QUE PEDE AJUDA POR CAUSA DAS CONSEQUÊNCIAS DE SUA DOENÇA: RUÍNA FINANCEIRA, DIVÓRCIO, PROBLEMAS DE TRABALHO, SOFRIMENTO, ANSIEDADE E DEPRESSÃO . Embora D. V são iniciais falsas correspondem a um caso real, e sua história começa onde começa quase todas as que relatam os homens e as mulheres que, como ele, vivem ligados ao sexo: a adolescência. De então para hoje, até os seus 35 anos, tem vivido escondido a si mesmo, e aos outros, a sua incapacidade para reprimir seus desejos sexuais.

“Tudo ocorreu por uma ruptura afetiva e comecei a manter relações sexuais com muitas mulheres como meio para evadirme da dor. Tinha dias que eu poderia ter vários encontros ou manter, durante uma semana, 12 relações diferentes. A necessidade de seduzir e conquistar tornou-se uma obsessão”, confessa a SAÚDE em uma entrevista por telefone este sexoadicto que atualmente está tratando no Instituto Espill de Psicologia, Sexologia e Medicina de Valência.

  • É muito difícil para ti, dadas as circunstâncias, como, por exemplo, que seja o seu chefe
  • Se você fosse pêssego eu comia até o osso
  • Escravo e amo
  • 23 Nina Tucker

Descrito pela primeira vez em 1986, como psicopatia sexual pelo psiquiatra alemão Kraff-Ebbing, não é até 1970, quando a mão de um só homem, Patrick Carnes, desenvolvem-se as diretrizes necessárias para sua identificação e tratamento. O QUE É.- Mas Onde está o limite entre o normal para cada pessoa e o patológico?

Outra das características desta dependência é que até, às vezes, nem tudo é sexo. “Muitas das pessoas viciadas passam por longos períodos de abstinência”, destaca João José Borrás, diretor do Instituto de Sexologia, Psicologia e Medicina Espill, de Valência, e ex-presidente do comitê científico da Associação Mundial de Sexologia.

E todos, sem distinção de classe social, de ocupação profissional ou sexo, podem cair em uma busca constante e insaciável de este tipo de prazer e na imensa solidão que ela gera. Embora eles se acoplam mais do que elas. “Normalmente, nós nos encontramos com mais casos de homens que de mulheres. Algumas hipóteses se inclinam para uma explicação cultural, social e educacional. Para a maioria deles, a dependência já começou e nem sequer se deram conta disso. “Todo mundo tem fantasias, mas a pessoa obcecada decide, muitas vezes, passar a agir acreditando que é uma forma de libertar-se de seus pensamentos.

no entanto, pode acontecer o contrário, a sua atitude começa a se repetir, sem controle e cai no comportamento sexual compulsivo”, diz Borrás. VIDA DUPLA.- É então que começam as mentiras. As que se contam a si mesmos com o fim de autoconvencerse de que tudo está sob controle: (“Esta é a última vez”), e as que contam para os outros, para esconder a sua vida dupla.

“Os viciados no sexo se tornam grandes atores. Se fazem úteis enganando, porque o seu problema-lhes vergonha e porque se dão conta de que não podem frear seus impulsos”, esclarece o doutor Borrás. Mas, às vezes, seu traço acabapor revelar toda a verdade. Outros, em troca, eles decidem pedir ajuda porque querem pôr fim a um vício que lhes custou o casamento, lhes tem causado problemas legais ou lhes está empurrando o suicídio. Ou porque a sua escravidão lhes está obrigando a fazer coisas que nunca poderiam ter imaginado, o que lhes causa um sofrimento insuportável. “O melhor fator prognóstico é recorrer a uma consulta.

A maioria dos casos que chegam até aqui se arrastam desde a adolescência, e estes são mais complicados e de difícil tratamento, pois levam mais anos mantendo esse tipo de comportamento. Embora a masturbação compulsiva durante a adolescência costuma ser um fato normal, às vezes, esse comportamento se perpetua pela existência de problemas na infância.

de Acordo com o NSCA, 71% dos viciados reconhece ter sofrido abusos físicos e 83%, abusos sexuais. “Existem mais causas de esta dependência como as biológicas (alterações do sistema límbico, distúrbios cerebrais, como um tumor ou um defeito nos neurotransmissores). Também depende da maturidade psicossexual do indivíduo, onde estão envolvidos a segurança afetiva ou os problemas de identidade sexual”, destaca o doutor Macieira.

Joana

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