Suplemento Cronica 527 – COMPANHEIRA É MAIS QUE RAINHA

Suplemento Cronica 527 – COMPANHEIRA É MAIS QUE RAINHA

Andamos esses dias, em um exercício de comemoração, de pôr em comum nossas memórias e nossos balanços de estima sobre os 30 anos do reinado do Monarca. Naquela conversa de Marivent, como comentei em algum momento que o papel de uma rainha consorte pode parecer “um egrégio moradia ornamental”, Ele me segurou rápido: “Não, não. A Coroa é, por assim dizer, um trabalho de equipe.

, E de um trabalho contínuo. Sei do que falo porque conheço a responsabilidade de um rei, e o peso, a carga e a solidão que a gente sente lá em cima. O rei é apenas o rei. E sua tarefa não é simples. Mas a coroa não é o rei. Por fortuna, Don Juan Carlos tem no computador a sua mulher e a seus filhos, repartindo o trabalho, e todos na mesma direção com uma lealdade magnífica. A partir de minha experiência de rei, lhe garanto que isso não tem preço”. O próprio Rei Juan Carlos me confirmava, em outra ocasião: “Ser rei não é fácil.

Ser rainha não é confortável. Nossa vida é muito tute e de não pouca tensão. E não cabe a eu não tenho vontade. A Rainha não se queixa, no entanto, está sempre no tejo. Formando ao meu filho Felipe, tenho dito muitas vezes: “Ei, você não acreditaria que isto está gado pa sempre. Há que ganárselo cada dia. Não podemos tumbarnos dorme”. Nisso a Rainha me ajudou muito, para ensinar aos nossos filhos nesse sentido do dever responsável, que ela é um instinto, uma segunda pele”. Em 1961, quando decidiram se casar, o trono de Espanha, não era uma meta no horizonte.

João Carlos não podia usar sequer o título de Príncipe de Astúrias. “Franco, o havia proibido, porque isso significava que Don Juan era o rei. Para minha família e para mim-eu tinha dona Sofia – ele era simplesmente Joãozinho, o menino de Barcelona. Sim, era o herdeiro do herdeiro; mas não tinha muito sentido entre nós dois fazer conjecturas sobre essa possibilidade remota. De direito, antes que ele era seu pai. E, de fato, nenhum dos dois: quem estava era Franco.Com os pés no chão, não era realista pensar que, passados uns anos, o meu marido iria reinar. Também não estava claro que pudéssemos viver os dois, com independência, aqui em Portugal”.

Essa foi uma discreta manobra que jogou a princesa Sofia: “Don Juan tinha-se empenhado em que, uma vez casados, nos instaláramos no Estoril. E eu dizia que nones. Por que viver no exílio? De não residir em Portugal, ficamos na Grécia. Meu pai era o rei. E tivéssemos vivido como príncipes.

Mas isso lançava fora todos os anos de formação de Juan Carlos da Espanha, com o único sentido de que a monarquia estivesse presente em sua pessoa. Assim o tinham acordado Franco e Don Juan”. A princesa sugere a seu pai, o rei Paulo, que escreva a Don Juan argumentándole a conveniência de que os novos esposos afinquen em Portugal. Antes e depois do casamento, Sofia escreve um par de cartas a Franco. Em uma delas, arranca com um militarón “Meu general”. “Assim lhe chamei para sempre, porque é como o fazia o meu marido.

Mas Franco nos tratava de alteza. Nunca nos chamou por nossos nomes. No fundo era tímido”. Essas cartas são já uma diplomacia paralela e oposta à de Don Juan e seus conselheiros. Estes têm preferido deixar o Senhor de lado, e reduzir o casamento a um assunto de família, hurtándole a dimensão de casamento de Estado que lhe corresponde por se tratar de um pretendente à Coroa. E com a tenacidade do lema de Hannover -“empreender e concluir”, suscipere et finire – aplica-se a afirmar a Don Juan Carlos na determinação de cultivar a Franco, ganhar aos espanhóis e conquistar o trono.

  • você Não tenha pensado que a gente pode procurar somente porque ele é bom
  • JuanACMPF (discussão) 03:41 9 fev 2018 (UTC)
  • Futbolitis TV: Assim jogue Benzema
  • 1986: Agenda da dança
  • 45 – Porque o Wolverine é o melhor no que faz

Uma de suas linhas de ação foi soprar em seu marido a auto-estima que seu pai lhe o conjunto: “Durante muitos anos, Don Juan era a Don Juan Carlos como uma criança. Não dava importância. Não pedia sua opinião. Lhe ordenava o que deveria fazer ou não fazer. Se queriam muito, mas não podiam falar de política.

Outra influência sutil: fazer com que Juan Carlos pise firme e seguro contra Franco: “Franco se quer. Se lhe alegram os olhos quando te vê. Gosta de ter você por perto”. “Franco, ao seu ritmo e com seus enigmas e seus silêncios, o ia-se desfazendo de tudo para limpar o caminho do meu marido para o trono.

Essa segurança a tínhamos. A grande incerteza era quando.Mas Don Juan continuava agarrando-se a seu filho, a partir de Portugal, podia preparar o trono para ele. Aquele era o nó. Esse era o drama.O que mais tinha querido Don Juan Carlos que receber a coroa das mãos de seu pai! Ele me dizia: “Meu pai é antes”. E só deixou de dizer que, em 1969, quando Franco nomeou-o sucessor a título de Rei”.

Joana

Os comentários estão fechados.
error: