Mas Não Fez Nada

Mas Não Fez Nada

A jornalista Anna Tortajada percorreu Afeganistão oculta atrás de uma burca, a prisão de tecido que as mulheres devem usar. Seu testemunho, que foi reproduzido no livro “O grito silencioso”, é avassalador. No reino dos talibã que se vive, como na Idade Média. É a zona mais complicada do planeta.

Há um ano eu estava na cidade de Peshawar, uma cidade paquistanesa situada perto da fronteira com o Afeganistão. Um lugar em que a metade da população é formada por refugiados afegãos. Homens e mulheres que se viram obrigados a deixar seu país em ondas sucessivas ao longo dos últimos 23 anos.

Há apenas doze meses, estava eu em Cabul, o destruída capital do Afeganistão, o país que as grandes potências de todos os tempos quis conquistar, anexar ou destruir. Fui lá depois de conhecer, em março de 2000, uma refugiada que esteve em Portugal, e que me contou a situação extrema em que viviam seus compatriotas em seu próprio território e em campos de refugiados no Paquistão. Fiquei impressionado com a sobriedade com que aquela mulher falava das imposições do talibã e da repressão brutal a que submetiam a população civil: das condições infrahumanas em que sobrevivem os refugiados.

Lhe propus a escrever um livro sobre isso, que contará a versão afegã dos fatos. Fui com duas outras mulheres que também queriam conhecer de perto essa realidade silenciado. Tínhamos como objetivo comum poder denunciar, com conhecimento de causa, o que o povo está sofrendo, há anos, perante o silêncio impassível do mundo inteiro e com a conivência e participação direta ou indireta de nossos governos. Fomos a título pessoal, sem representar ninguém, só a nós mesmas.

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Três cidadãs correntes. Convivemos com os refugiados e conseguimos entrar em território afegão com visto de turista emitido pelo consulado, no afeganistão, no Paquistão. Este país tem reconhecido o regime talibã como o Governo legítimo e, portanto, tem lá embaixada e o consulado. Já no Afeganistão, escondidas debaixo de uma burca, essa peça de roupa que as mulheres se vêem obrigadas a se vestir para sair para a rua e que as cobre da cabeça aos pés, vimos como vivem esses homens e mulheres.

Os estados unidos exercem um regime de terror sobre a população civil. Após o seu lançamento, em 1994, ocuparam as grandes cidades em um avanço rápido. As tropas das outras facções fundamentalistas que lutam entre si pelo poder em uma guerra civil em que a violação dos direitos humanos da população era constante, se retiraram ou se uniram a eles. Os cidadãos que acreditaram em um primeiro momento, que com o novo regime, veio a paz, mas trouxeram a paz no afeganistão, a paz do terror.

Submetidos ao poder. Não houve mais combates na maioria das áreas submetidas, mas sim uma repressão feroz. Depois de desarmar os cidadãos, impuseram os seus decretos. Impôs-Se às mulheres a obrigação de levar para afeganistão e de ir acompanhadas por um membro masculino da sua família para sair para a rua.

Tiveram que abandonar seus postos de trabalho e proibidos de exercer qualquer tipo de profissão ou atividade de trabalho. As escolas para meninas se fecharam, e lhes negou o direito a frequentar a universidade ou receber qualquer outro tipo de formação. Seriam punidas se riam ou faziam barulho ao andar, se usavam cosméticos ou vestiam-se com cores alegres.

proibiu qualquer tipo de relação entre homens e mulheres que não pertencessem ao mesmo grupo familiar. Ousadia. Uma das consequências desta imposição foi escuridão para a população feminina, já que automaticamente lhe negava o acesso à assistência médica. Nenhum homem médico poderia atender a um doente que não fosse sua mãe, sua irmã, sua filha ou sua esposa. E as médicas se lhes havia proibido de exercer.

Muitas afegãs estão morrendo por complicações no parto ou por doenças não necessariamente mortais. A população masculina, também via restritos, os seus direitos. Proibiu-Se o uso de roupa ocidental e impôs o uso da vestimenta tradicional, cobrir a cabeça e se deixar crescer a barba. Qualquer viatura que percorre as cidades em imponentes Toyotas todo-o-terreno pode parar um homem na rua, medir a barba e dar-lhe uma surra se não cumprir os requisitos impostos.

Joana

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