Leticia Dolera: “Não Somos Putas Por Masturbarnos Ou Desfrutar Do Sexo”

Leticia Dolera: “Não Somos Putas Por Masturbarnos Ou Desfrutar Do Sexo”

�já Conhecia a história do movimento, os livros de Simone de Beauvoir, ou de Betty Friedan? Não, este livro foi uma viagem para mim. Eu tenho explorado a história e a teoria do feminismo para contá-la de uma forma acessível, e tenho acompanhado de experiências pessoais. Agora estou com O segundo sexo, de Beauvoir, um enorme retrato sociológico. Fala de quando lhe faziam bullying no colégio, diz que foi pior por ser mulher.

Com o tempo dei-lhe uma leitura de gênero. Porque além de tudo o que significa o bullying (furar, insultarte ou escupirte), há um acréscimo de gênero, que é atacar o seu dinheiro que me falta e que não acontece com os homens. Reivindica a Eva, que mordeu a maçã, É tremendo, nos ensinam que, por culpa da curiosidade de Eva, o homem abandonou o paraíso. Devemos morder todas as maçãs que encontramos pelo caminho e não arrastar mais culpas inventadas pela história. Hoje continuam a perpetuar as relações de desigualdade, porque estão em nossa cultura, em nossa educação e em como enfrentamos a sexualidade.

Ponto um, a educação.Nos livros de texto só se estuda a 7% de personagens femininos. Pode ser porque as mulheres, até agora, tem tido um papel secundário em muitas profissões. A Cultura também constrói.Efetivamente, a Cultura tem que projetar o tipo de sociedade a que aspiramos. A maior parte dos filmes relegam as mulheres a papéis secundários que têm que ver com a maternidade ou com o erótico. MeToo colocou o foco nisso. As mulheres temos que adueñarnos de nossa sexualidade, não somos putas por desfrutar do sexo ou por masturbarnos.

Alguns intelectuais franceses defenderam o direito dos homens a importunar, Não, porque era inconsistente. Não se pode tachar o feminismo de puritano, quando foi o feminismo que pôs sobre a mesa o prazer sexual das mulheres e o debate sobre o clitóris. E as mulheres.Nos afeta ambos os sexos, é verdade, mas a relação de dominação no âmbito sexual exerce-se principalmente de um gênero para o outro, as mulheres não violam.

E, no entanto, triunfam fenômenos como o de as 50 sombras de Grey.Fomos educados para o amor, romance e contos de princesas frágeis que sonham em se apaixonar e namorar. Isso arrastou todas. Nós podemos remover as cadeias, mas que nos ficarão as cicatrizes. Isso contar a uma garota que tenha sofrido uma violação, ou que tenha sido perseguida por seu chefe.

Você acha que o problema feminino mais comum no trabalho é assédio sexual? Em Portugal está em causa uma violação a cada sete horas e não denuncia nem 20% das violações, bem que eu acho que a sexualidade é um problema diário. E é pior porque se vive no silêncio. MeToo. Evidentemente que há que mudar é o sistema inteiro, é um assunto transversal. É Por isso que o feminismo vem a criar uma sociedade melhor, não vem ao apontar o dedo para os homens.

  • 2016: Takanori Jinnai
  • Às vezes, me surpreendo de que você é capaz de fazer tudo o que deseje. Isso me encanta
  • Ser feliz
  • 1960: “Witch Doctor” (Chipmunks version)” (Liberty F-55272)

Há um Harvey Weinstein português por descobrir? Eu duvido, porque o dinheiro que move Harvey Weinstein nenhum produtor ou diretor move aqui. Porque é que em Portugal nenhuma atriz quis dar nomes? No meu caso, porque o crime já havia prescrito e não quis colocar o foco nessa pessoa, mas sim da cultura de estupro.

Também porque já bastante precário é o mundo do cinema como para cima ser que se põe a apontar. Você tem medo que lhe diga o síndrome Willy Toledo? o que sua faceta ativista opaque sua atividade como atriz ou diretora? Eu tenho um orador muito grande por me dedicar a isso, e eu senti a responsabilidade de usá-lo, mas isso não parou em nenhum momento a minha preocupação por contar histórias. Acabei de filmar o filme Que você joga e estou escrevendo o que eu gostaria que fosse meu próximo projeto como diretor. Quando é a última vez que disseram ‘¡ ¡No Twitter eu acho que hoje! Mas não sei, tenho desativadas as menções em redes. Vivemos na sociedade da intolerância, há que se fomentar a empatia. Temos que ser capazes de argumentar com quem pensa diferente sem chegar ao insulto. O feminismo também tem danos colaterais.

A vida é demasiado curta para gastá-lo correndo de um orgasmo para outro. Muitos seres humanos fartarão do orgasmo quisessem outro caminho, mas nas sociedades modernas quase tudo gira em torno da perda e consumo de energia. O caminho que tradicionalmente tratou de dar azo à aplicação dos homens é o caminho da abstinência sexual. É o que ensinam e ensinaram sempre as grandes religiões.

Joana

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