Escrever Para Evitar Que O Mundo Desapareça

Escrever Para Evitar Que O Mundo Desapareça

Karl Ove Knausgard nunca quis ser escritor. Mas um dia descobriu-se infeliz, quando, supostamente, havia feito tudo o que devia. Tinha Se casado, tinha filhos, tinha uma carreira. E não lhe parecia bem. Nada lhe parecia bem. Bem que você disse que escreveria para descobrir onde estava o erro.

Em que é que estava errado. “Quando meu pai morreu, foi como se o mundo parasse. A vida tornou-se de repente em algo precioso. É o que acontece sempre, com a morte e com o amor. Parece que sua vida é um mar de banalidades até que alguém morre e descobre que não valorize o que você tem.

O mesmo acontece quando nos apaixonamos. Vive de forma mais intensa”, considera Knausgard. Precisamente a segunda entrega de suas “memórias” intitula-se ‘Um homem apaixonado’ (Anagrama) e o tema central é, como não, “o amor”. E tudo o que o rodeia. De fato, neste segundo volume, Karl deixa de ser filho, ser pai.

“É verdade que há algo de libertador em escrever. E a verdade é que não sente nenhum tipo de reparo. Ao escrever tudo fica mais fácil. Sou incapaz de falar da minha vida sexual, mas posso escrever sobre ela. Não me parece perigoso. Não me parece que eu esteja expondo, mesmo que eu estou fazendo”, garante o escritor. Saudades de estar ocupado. “Não pelo fato de escrever, mas sim por estar em processo. Embora seja um processo destrutivo.

Pois isso foi o que fizemos. Um suicídio literário. Acho que não voltarei a fazê-lo. Minha situação é muito diferente hoje. Não odeio a minha vida. A minha vida eu gosto. Não tenho por que escrever”, confessa o norueguês, que é mesa, muitas vezes, a barba e se passou uma mão pelo cabelo. Tem a aparência de viking, um viking que tivesse lido mais da conta e que se habituar a levar blusões distantes.

  1. 1 Em Milwaukee
  2. Reformular a intensificação dos potenciais alvos
  3. Porque eu gosto de emborracharme de Sfar
  4. 1 Temporada 1
  5. 2015: Amore Meu Tour (Cancelada)
  6. A gata sob a chuva

E quanto a precisão das lembranças? O sabor de uma refeição, a cor de um quarto, a miríade de detalhes que compõem sua monumental processo de autodestruição literária? “Não tomo notas, mas sempre tive boa memória. Lembro-me de todos os lugares em que estive, mas não às pessoas.

Embora a idéia era descrever o que acontece, como eu me lembro. Porque esta é uma obra sobre a memória. E é bom que a memória minta, que corrompe, porque assim é a memória”, responde. Quando se tornou a matéria-prima de sua própria literatura, qualquer coisa é possível.

Mesmo é que uma pessoa pode chegar a se cansar de si mesmo. “Sim, eu cheguei a aborrecer-me de mim mesmo”, garante Knausgard, que escreveu os seis volumes de ‘Minha luta’ em apenas dois anos. “A única coisa que queria era descobrir como eu tinha me tornado a pessoa que era. Como se constrói uma identidade. Nesse sentido, é uma investigação existencial pura e dura. Naquela época, quando eu comecei, tinha a sensação, e continuo tendo, hoje, de que não somos conscientes do aqui e agora. Que o mundo desaparece à nossa volta, à medida que crescemos.

Por isso eu quis contar coisas tão concretas. Para recuperar o aqui e o agora”, diz. Assim, o que quis foi escrever para evitar que o mundo desaparecesse. “É Por isso que a minha literatura é tão realista”, acrescenta. Enquanto o fazia, enquanto punha o mundo em seu lugar, encontrou-se consigo mesmo e procurou, para esse ” eu ” que tinha dado, claro, um lugar no mundo.

Ao mesmo tempo,”Viver é morrer de amor” e seu tema “O amor da minha vida”, do mesmo álbum, torna-se o single mais vendido de toda a década e em um clássico. Nesse ano, recebe o Prêmio “Atração” por ser o cantor mais contratado durante esse ano. Além disso, faz-lhe entrega de um Disco de Platina por ter vendido mais de um milhão de discos.

Joana

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