“Aos 35 Anos, Fiz Uma Pausa E Disse:

“Aos 35 Anos, Fiz Uma Pausa E Disse:

“Eu gosto da sonoridade e o sentido dessa palavra, que na Colômbia não usamos e que hoje não deixo de ouvir: “parabéns”. Dizia ontem, radiante, a cozinheira colombiana Leonor Espinosa, após receber, em São Sebastião, o Basque Culinary World Prize, com o que o Basque Culinary Center e o Governo Basco homenageiam um chef com iniciativas transformadoras.

o Que sonhos permitirá cumprir este prêmio? Depois de dez anos desde que criamos a fundação Funleo, não tínhamos conseguido materializar todo o trabalho em que estamos imersos e isso vai nos ajudar a fazê-lo. Nosso primeiro projeto será em uma área incrível, onde desovam as baleias todos os anos, no golfo de Tribuga, no Pacífico norte, onde há problemas de tráfico de drogas, porque é um corredor de saída de substâncias ilícitas.

Este é o nosso primeiro projeto piloto, e queremos buscar recursos para que não seja o único, mas que tenha muitos como este. Como em um país rico por sua cultura e por sua natureza, a gente pode não sentir o amor para com o próprio? Terá uma horta, que vai abastecer a comunidade, de 117 habitantes. Embora sejam polegadas, beneficiará 400 pessoas que estão a 15 minutos de barco.

Esta população a integram, na sua maioria, crianças e adultos; 90 % afros e o resto indígenas. O centro terá um restaurante gerido pela comunidade e um centro de transformação a partir de recursos biológicos que dá o mar e o que pode produzir a horta. De onde vem a sua paixão pelo afro, tão presente na cozinha de seu restaurante Leo, em Bogotá? Amo o mundo afro, e posso dizer que me mudou a vida:. Sempre há uma insatisfação do ser humano. Quando eu viajava por esses territórios, muitas vezes, tínhamos a dormir em caminhas que nos tendiam divinamente forradas em palmas, casa de banho eram latrinas, se fui à intempérie.

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Passava necessidades e sempre estava rodeada de pessoas que viste feliz. Os afro sempre o são, apesar de sua falta de direitos e que continuam sofrendo discriminação e racismo. Quando descobriu o mundo? Eu venho de Cartagena, que tem uma grande população afro, onde nossas empregadas domésticas eram afro. Onde estudei, nos anos 60, não havia negros em escolas de brancos. Eu cresci em uma cidade racista, e isso me inclinou-se muito para o mundo afro. Mas aos 12 anos ganhei uma bolsa de estudos para entrar na escola de Belas Artes. E minha mãe me disse, “você não vai”.

Eu disse, “sim eu: eu vou sozinha”. Tomava um busecito, era uma escola pública que havia quem entrava porque tinha inclinações criativas, mas também porque era uma opção, a única, de educar-se. Eu comecei a estudar com pessoas deprimidas economicamente. E eu comecei a ir para suas casas. Aos 16 anos já estava em bairros populares dançando a música popular. E encontrei um mundo de tanta desigualdade que eu me aproximei cada vez mais: me encantam os negros, eu adorava o mundo negro. Eu vinha de uma família rica?

Sim, éramos seis filhos de origem de cartagena, meu pai e por parte materna provincianos de agricultores abastados. Mas um pessoa generosa e simples. Nós criamos com conforto, mas longe de não ser conscientes da pobreza e da desigualdade. Meus pais nos criaram diferente, eram muito humildes e muito generosos.

De mais, quando eu decidir fazer a cozinha colombiana, precisava de saber Colômbia desde a sua origem. E começo a viajar, a investigar. Para ir para os territórios afro do Pacífico.Vi que eram muito diferentes do Caribe, onde estão mais expostos à corrupção. E eu pensei “não é possível que haja tanta pobreza”. E me começa a mudar o chip.

qual a sua fundação, queria trabalhar com essas comunidades? Quando nos começamos a dar a conhecer a fundação começamos a trabalhar em parceria com organizações internacionais que colaboravam com as comunidades afetadas pelo conflito armado, mas com grande riqueza cultural. E eram comunidades afro do Pacífico. Minha filha Laura e eu estávamos apaixonados dessas comunidades que têm tudo para passar de minorias a maiorias. O Leo Espinosa foi sempre uma mulher rebelde? Diz o adágio popular que as pessoas que são rebeldes desde pequenas é porque nascem de bunda. Eu acho que eu nasci de bunda. Você e sua família, entendeu?

Joana

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