A Vida De Bertrand Russell, Em Quadrinhos

A Vida De Bertrand Russell, Em Quadrinhos

matemática podem conter tanta emoção humana como um poema, uma pintura ou uma novela das oito. Isso é o que descobre o leitor de Logicomix, um ritmo acelerado de quadrinhos de aventuras, cujo protagonista é uma lógica que busca obsessivamente uma linguagem matemática que possa ser universalmente válido. Parece, a priori, condenado a um escasso sucesso comercial.

Mas há ocasiões em que a lógica não se impõe, e Logicomix (editorial Sins Entido) tornou-se um bestseller internacional que aqui vai já na segunda edição em apenas dois meses. Seu protagonista não é outro que o filósofo britânico Bertrand Russell (1872-1970), um ser humano que sofre, ama, ri e chora e que, como um super-herói em missão, persegue o ideal de uma linguagem matemática perfeito, indiscutível.

Russell, desfilam secundários de luxo, como Georg Kantor, Kurt Gödel, Henri Poincaré, Alan Turing ou, especialmente, um perturbador e acelerado Ludwig Wittgenstein. Nas palavras do filósofo Fernando Savater, “uma equipe de pessoas excepcionais que mal chegaram a conhecer-se entre si e que tentaram descobrir o que é a certeza de que podemos estar certos, sem lugar a dúvidas e receios”. Logicomix chega precedido de um grande sucesso em todos os países onde foi publicado (foi o gibi mais vendido nos EUA

Seu feliz coincidência nas livrarias a nova edição da Autobiografia de bertrand Russell (Edhasa), pela primeira vez, em um único volume, coloca o pensador britânico de moda. Para conseguir que as matemáticas pareçam tão excitantes, foi necessário o trabalho de quatro pessoas. O ato intelectual de Russell não foi pouca coisa, e envolveu um grande número de disciplinas.

  • 7 Darius ALP Haydar
  • 1994: Ed Wood
  • São mulheres fortes, resistentes, seguras e estáveis
  • 1 folha de papel
  • 5 Mais intrigas
  • 2017: Sarii Ikegami
  • Mensagens: 8.403

2. Era tão difícil de entender que a editora, Cambridge University Press, não encontrou ninguém capacitado para julgar a qualidade da obra e, finalmente, decidiu não publicá-la, de modo que a autoeditaron. Junto a esta pesquisa, o outro grande tema desta novela gráfica é a relação entre a lógica e a loucura.

É necessário estar um pouco desequilibrado, se não neurótico, para consagrar uma existência para a resolução de problemas semelhantes? O leitor vê desfilar para grandes cérebros cuja envergadura científica contrasta com a sua chaladura na vida cotidiana-nenhum, como o mítico Cantor, está mesmo interna em um manicômio-. Para Doxiadis, “este era um tema importante: até que ponto alguns personagens menos torturados tivessem estado dispostos a pagar o preço pessoal de se criar uma nova lógica”. A vida privada de Russell -e a sua sucessão de aventuras – contribuem para o interesse humano da trama.

[Editar aponta que “era um homem muito apaixonado, mas não como sendo a mãe. Não conquistava, por esporte, mas que realmente se apaixona de muitas mulheres, cada vez de verdade, e com muita paixão. E, se não podia conquistar a senhora, sentia-se muito infeliz”. Logicomix se atreve até com questões teóricas fundamentais, como o paradoxo de Russell: em uma cidade há um barbeiro que só a barba para aquelas pessoas que não podem fazer por si mesmas. Mas esse barbeiro tem um grande problema: não é possível barbear-se, pois, se o fizer, então você pode raspar por si mesmo e não deve ser raspada pelo barbeiro, que é ele.

Os autores de Logicomix não foram ajustados estritamente aos fatos: fazem com que Russell conheça pessoas que nunca viu, como Frege, ou Cantor, ou assistir a actos em que não esteve. Foi contra a bomba nuclear e a corrida armamentista e presidiu o tribunal contra os crimes da guerra do Vietnã. Foi muito mais ativa e muito mais completo do que todos os outros filósofos.

Joana

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