A Gravata Perde Poder

A Gravata Perde Poder

Não foi este um agosto muito quente em Madrid, mas o ar que se respira na capital, seco e poluído, sempre é sufocante durante os meses de verão e a gravata não ajuda a lidar com a situação. A liga dos sem-gravata logo apressou-se a ler, descorbatamiento do ministro mais um sinal de que a polêmica peça não goza de bom estado de saúde como antigamente.

Em seu campo de vendas, manejava dados reveladores. Se em Portugal, e no resto do mundo, acabamos seguindo os passos que marca o mercado têxtil americano-como acontece habitualmente, embora com certo atraso-, a gravata deve começar a fazer a tremer. Três séculos de debate. Mas o certo é que, em sua origem, sim, teve um por quê.

Rafael Garcia Lozano, coordenador de Estilo da Escola Superior de Moda e Empresa. De fato, anos antes do enterro de Versace, já havia quem a deu como morta por ver como empresas de novas tecnologias, dirigidas por jovens em t-shirt e chinelos, como Bill Gates ou Steve Jobs, conseguiam atingir dimensões planetárias. Instituto de Empresa, Enrique Dans. O de Gates e Jobs foi apenas o pontapé de saída.

Cada vez mais questionada. Apesar de tantos ataques, a gravata saiu vitoriosa e entrou no século XXI amarrada sobre tudo o pescoço dos mandamases do setor político e financeiro, onde quase ninguém se atreve ainda a discutir a sua presença. Mas cada vez mais vozes que questionam o seu reinado e estamos assistindo a um crescimento do movimento de contestação à gravata que não nega nenhum dos especialistas consultados (mesmo que não estejam certos de seu desaparecimento).

Mansilla. “Os ataques mais sérios contra a gravata sempre foram com base no seu nula utilidade”, aponta Garcia Lozano, “e por esta causa, a longo prazo poderia ser relegada”. Além disso, os membros da liga anticorbata se agarram a novos argumentos para ganhar a sua cruzada. O japão foi o país pioneiro em tirar a gravata em prol da poupança de energia e do protocolo de Kyoto em defesa do meio ambiente.

Há quatro verões, o então primeiro-Ministro, Junichiro Koizumi, o fez e, desde então, tornou-se tradição nacional. O governo oriental afirma ter deixado de emitir a cada ano, meio milhão de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. E tão contente com o que foi alcançado, que na última reunião de cúpula do G-8, realizada em julho na ilha de Hokkaido, tratou de internacionalizar o seu sucesso pedindo aos seus ilustres convidados a reunir-se em roupa mais informal e ecológica.

  • Criação e controle de nanobots
  • O tempo em Madrid: Nuvens e claros. 4.1°C de mínima e 15.0°C de máxima
  • 2, O peregrino em sua pátria
  • Meu primeiro amor
  • BOTAS MEIA
  • Rachel Bérend como a condessa (Marie-Monique Arkell)
  • Fora de mim
  • 58 “Independence Day”, O dia da independência em 25 de junho de 2006

Aqui em Portugal, a primeira empresa a subir ao carro da responsabilidade social anticorbatil foi Acionada. À margem das temperaturas, uma das últimas esperanças dos que desejam ver, algum dia, a saída do armário da gravata chegou pela mão da ciência. Há dois anos, várias pesquisas relacionaram o uso dessa peça com o aumento da pressão intra-ocular que, a longo prazo, poderia degenerar em glaucoma (uma doença que pode causar perda toral de vista).

Os doutores do Instituto de Olhos e Ouvidos de Nova York, concluíram, após realizar um estudo com 40 pacientes, que “o nó apertado constrange a jugular e aumenta a pressão sanguínea na veia e dentro do olho”. Para evitar isso, recomendavam-lo mais solto possível. Assim que seus detratores, eles decidiram usar esse argumento para acabar com ela.

Como no Irã, onde o sentimento anticorbata cresceu graças à campanha que seus líderes políticos fizeram para denunciar que o suplemento era um símbolo da opressão ocidental que, em nome da identidade nacional, não deveria ser usado. A mensagem caló, tanto que hoje a maioria dos executivos irão vestir roupas elegantes ocidentais, mas sem a bem-aventurada peça. O mesmo argumento foi utilizado na américa do Sul, onde muitos líderes tem sido notícia por dispensar a polêmica peça em suas viagens oficiais a países encorbatados. Foi o recém-eleito presidente da Bolívia, Evo Morales, por ter um jersey em sua recepção, com o rei de Portugal.

Joana

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